
Quem me dera ter o dom que o tempo foi queimando
no brasume do verão.
Quem me dera ter o refresco da lareira
da cabana no cimo da serra.
E olhar teus olhos, mulher, com o mesmo perfume
com que me olhava a mãe, às voltas pela cozinha.
Quem me dera não desgastar palavras que pintam
paisagens de minha alma.
Quem me dera ter o dom, perdido, a perdida inocência,
da casa que o tempo foi queimando
no brasume do verão.
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