sexta-feira, 8 de maio de 2009

Três lesmas na garganta e um espirro griposo [2]


A RUA


É o pasto de todas as cavalgaduras, machos e fêmeas

deambulam no prado em busca da carne  estreita, que

o véu da noite cozinha para todos os paladares. Como

hospício do dia, esmaga no seu colete de forças

toda a dignidade, soltando a fera dos desejos que

o sol encobre na sua roupagem de ocasião. Engalana-se

com vestes voluptuosas, enfeita o rosto com púrpuras

psicadélicas e enfeitiça os olhos do transeunte com as coxas

nuas e a boca aberta, alucinada, à tesão. A noite é a filha da

lua-cheia, a transbordar odores a sexo, refrescos de álcool

dos mais variados tons e forças, doses de chash e crack,

overdoses de luz com tapete rolante para o paraíso dos cegos.

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