
A RUA
É o pasto de todas as cavalgaduras, machos e fêmeas
deambulam no prado em busca da carne estreita, que
o véu da noite cozinha para todos os paladares. Como
hospício do dia, esmaga no seu colete de forças
toda a dignidade, soltando a fera dos desejos que
o sol encobre na sua roupagem de ocasião. Engalana-se
com vestes voluptuosas, enfeita o rosto com púrpuras
psicadélicas e enfeitiça os olhos do transeunte com as coxas
nuas e a boca aberta, alucinada, à tesão. A noite é a filha da
lua-cheia, a transbordar odores a sexo, refrescos de álcool
dos mais variados tons e forças, doses de chash e crack,
overdoses de luz com tapete rolante para o paraíso dos cegos.
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