terça-feira, 12 de maio de 2009

Maio


Não sei se te conte uma história ou te dedique um poema.

Um poema sem rosto, uma história com corpo que te entre pelos olhos e faça luz, na sombra.

Algo tenho de fazer, uma coisa ou outra, eis o dilema.

Não.

Não penses assim, esta não é mais uma daquelas circulares que te envio, em momentos especiais, cheias de palavras de circunstância.

Nem pode.

Hoje, não pode mesmo, que o frio cá fora é mesmo para sentir.


Desta vez, não perfuro as entranhas da minha cama.

Afinal, ainda é primavera por mais um tempo

e o inverno já passou com toda a sua melancolia

e preparo-me para enfrentar a praia, amanhã entro de férias

e tudo o resto será premiado com o esquecimento.

Hoje, apenas me incomoda não saber como escrever-te.

E como não quero que certas palavras acordem de onde estão,

não sei que “estória” de embalar te encante,

nem que poema arranque este grito de saudade

de seres Maio apenas uma vez por ano.


No fundo, já não é o transporte público que geme nas paralelas,

nem me assustam os estrondos sinalizadores das mercadorias em passagem,

mas a demora. Sim, passo horas à espera, com o bilhete na mão.

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