
Nada mais.
Dou ao instante o mesmo de sempre.
À luz o que é da Luz.
À sombra o que é da Sombra.
É tarde.
O Sol espalha-se no dia.
Um barco sobe a rua. É a hora dos jardins derreterem.
Quantas horas,
quantos jardins,
quantas calorias.
O mar é nu.
Não tenho tempo. É tarde, de tarde
a luz já partiu das folhas
Nada se move.
tudo adormeceu desde o céu à terra.
as hastes vazias falam da ida do verão e das cores. vazias,
as praias do ser, serenam até novos escolhos de maré
virem rasgar-lhe a face, descoloria e manchada.
São os dias da neve em que o calor da lareira leva para devaneios.
e as estações perdidas, os apeadeiros onde não quis parar um pouco do relógio.
São os dias onde as tardes e as manhãs iguais, bocejam de tédio
e a verdade é uma faca de dois gumes: dum lado a serrilha
da oportunidade;
do outro, o gume do constrangimento.
São os dias onde o branco se derrama,
e tudo é negro e não se nota o derrame.
— que mágoa se move dentro dum sorriso forçado,
dum beijo apagado, na ausência dum gesto de afecto.
o tecto rodopia. as mãos erguidas à altura da cabeça.
não, ainda não, as nódoas, as nódoas, as nódoas do tempo.
e um cinzelar por toda a parte. e um cinzelar maior. era um jardim…
ali, olha, um resto de flor.
Não tenho tempo. O tempo que não tenho, tive-o.
Gastei-o no vestígio que diz mais de mim.
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