
A CASA
É uma fachada que o arquitecto sol desenhou
para marcar o compasso da sua passada entre duas
linhas de horizonte. Avista-se quando os primeiros
raios lhe acariciam a pele; estende-se em comprimento
à velocidade da sua erecção; mirra quando deixa de lhe
interessar; apaga-se quando ele vira o olhar noutra direcção.
De vez em quando, entranha-se na humidade dela e deixa-a
mais húmida do que quando entrou sem lhe iluminar nenhuma
parede interior. A casa é a vadia na luz da rua, com proxeneta
próprio de quem não pode fugir; e paga renda
com o descolorir do corpo que o sol lhe consome.
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