sexta-feira, 8 de maio de 2009

Três lesmas na garganta e um espirro griposo [3]



A CASA


É uma fachada que o arquitecto sol desenhou

para marcar o compasso da sua passada entre duas

linhas de horizonte. Avista-se quando os primeiros

raios lhe acariciam a pele; estende-se em comprimento

à velocidade da sua erecção; mirra quando deixa de lhe

interessar; apaga-se quando ele vira o olhar noutra direcção.

De vez em quando, entranha-se na humidade dela e deixa-a

mais húmida do que quando entrou sem lhe iluminar nenhuma

parede interior. A casa é a vadia na luz da rua, com proxeneta

próprio de quem não pode fugir; e paga renda

com o descolorir do corpo que o sol lhe consome.

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